quarta-feira, 23 de julho de 2008

Do saber e do ser professor de História!


Lugar de contestação, debates, análises críticas, formação de opinião... Momentos que, freqüentemente, definiram e imprimiram significados ao espaço físico das salas de aula durante minha formação no curso de História. Vez ou outra, a nostalgia traz à memória o cotidiano da academia. Hoje, a vivência da sala de aula, desta vez, como professor no ensino fundamental II, conduz-me a reflexão sobre o papel da universidade na formação docente, em particular, do professor de História.
Observando alguns aspectos presentes no processo da formação docente, surge uma série de questões que avaliam a contribuição do conhecimento adquirido no espaço da graduação, para o exercício da prática de ensino de História pelos alunos egressos da universidade. Dentre as questões identificadas, a percepção de que grande parte do que aprendemos na universidade não foi elaborado com base nos desafios a serem vivenciados no cotidiano do oficio de professor. Evidenciando um distanciamento das atividades realizadas no espaço acadêmico (debates, produção acadêmica, análise bibliográfica, transmissão desse conhecimento, etc), da produção de um conhecimento pedagógico, um saber a ser ensinado nas salas de aulas das escolas (ensino fundamental e médio).
A própria organização curricular do curso de História, transmite a dicotomia entre conhecimento específico do curso e os saberes pedagógicos necessários, sendo que, os últimos, são colocados como “complementares” às demais disciplinas, dando-lhes uma impressão de irrelevância para a formação do acadêmico de História, identificada, na prática, pela atitude de desinteresse e desprezo dos graduandos às disciplinas pedagógicas. Nesse momento, rememoro outra questão, pela qual alguns colegas de curso chegaram a afirmar que as minhas inquietações eram conseqüência de um anseio pessoal de que a universidade garantisse aos formandos, saírem, como diziam eles, com um “manual de como ser professor!”.
Não era isso que almejava ou propunha. Entendo que o domínio do conteúdo (saberes históricos) é insuficiente para o efetivo exercício da docência. Para tanto, se faz necessário, uma formação que também, capacite docentes no domínio dos saberes e mecanismos que possibilitem tornar este saber histórico num saber a ser ensinado nos limites da instituição escolar (a transposição didática). Refiro-me a uma vivência do cotidiano da sala de aula, que não esteja no final do curso de graduação, e sim, uma experiência prática de modo a antecipar, ao futuro professor, o contato com a dinâmica das relações existentes numa sala de aula (diversidade de gêneros e classes sociais, indisciplina escolar, dificuldades de aprendizagem, etc), evitando, desta forma, reações comuns dos egressos da universidade, que chegam a questionar a utilidade de grande parte do conhecimento apreendido na academia para a realização de seu exercício da docência.
São os chamados “saberes mobilizados no cotidiano da sala de aula”, em que o contexto social da realidade vivenciada pelos alunos, as dificuldades decorrentes da negligência do poder público à educação, a desvalorização da profissão de professor e principalmente a condição socioeconômica do aluno - que deve ser pensada pelo professor - formarão uma identidade profissional. Sendo assim, urge uma formação acadêmica que garanta ao formando, um conjunto de conhecimentos e práticas escolares necessárias para que este futuro professor possa assumir uma sala de aula, consciente de que, o tempo de ensino (experiências vividas) é fundamental para o aprimoramento da qualidade do trabalho docente.

Charles Bronson
Professor
Setembro de 2007

2 comentários:

Fernanda disse...

Charless!
Muito bom ter seu blog!
Vou ler o que escreveu depois com mais calma!
Que Deus ilumine seus passos e pensamentos a cada dia!
Abraços da Fer! =]

Marta disse...

É... esse menino vai longe... Admiro sua disposição em dedicar-se à análise da prática docente... e ainda as situações que nos chegam de forma que nunca fomos preparados a vivenciar àquilo... e na base do sentri na pele é que o professor vai se desdobrando para superar suas dificuldades.
Abraço.